Em 2010, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornou oficiais as novas regras que regulamentam a venda de antibióticos, com o objetivo, entre outros, de evitar interações medicamentosas arriscadas e tratamento inadequado.
Além desse procedimento, vários outros podem auxiliar no tratamento adequado de pacientes. Um deles refere-se à correta realização dos exames laboratoriais.
Para sanar dúvidas de profissionais acerca dos cuidados para evitar contaminação de coleta de urina ou processamento de sangue, o Anti-R conversou com o médico Jorge Luiz Sampaio, doutor em Microbiologia e Imunologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e líder médico e científico do setor de Microbiologia do Fleury Medicina e Saúde.
Anti-R: Quais as consequências da realização inadequada da coleta de sangue e urina?
Jorge Luiz Sampaio O sangue é, normalmente, um líquido estéril, livre de microorganismos. Para chegarem aos vasos sanguíneos, microorganismos como o staphylococus coagulase negativo, comum em quase todas as pessoas, geralmente entram primeiramente em contato com a pele, espalhando-se rapidamente pela corrente sanguínea, o que pode acontecer, inclusive, no momento da coleta.
Já a coleta de urina deve ser feita preferencialmente em laboratório. Por quê? Porque bactérias se multiplicam a cada 20 minutos. Assim, se a urina fica em temperatura ambiente por uma hora, a contagem bacteriana aumenta e a cultura é falsamente positiva.
Assim que coletada, a urina é colocada no meio de cultura e incubada. Quando positiva, realizam-se procedimentos que visam direcionar o tratamento médico. Assim, se houver uma bactéria, o médico pode decidir ampliar a cobertura do tratamento microbiano. Dependendo da gravidade do paciente, ele pode receber tratamento com antibióticos. Logo, uma coleta contaminada pode levar a erros de diagnósticos e, como consequência, o paciente pode receber tratamento com antibiótico sem necessidade.
Anti-R: Quais cuidados o profissional deve ter ao realizar a coleta de sangue e urina para exames de cultura e antibiograma, a fim de evitar contaminações?
JLS Tanto em adultos quanto em crianças, é necessário realizar higienização com água e sabão antes da coleta, o que reduz bastante o risco de contaminação. Também é importante que não se coloquem na criança pomadas e cremes de óxido de zinco, que evitam assaduras, porque isso dificulta a coleta. Caso a criança vá ao laboratório com esse tipo de pomada, deve-se higienizá-la com sabão neutro e água morna antes de limpar com antisséptico, a fim de reduzir a quantidade de bactérias existentes.
Outro cuidado com bactérias na região perineal é realizar higienização na criança a cada 5 minutos, caso ela não urine. Logo que a urina for coletada, deve ser imediatamente levada à área técnica para ser colocada no meio de cultura.
Já na coleta de sangue, é fundamental o uso de luvas estéreis. Também é necessário realizar antissepsia na pele do paciente, bem como no frasco que receberá a amostra de sangue. Usar um frasco não higienizado pode levar à contaminação da hemocultura.
Anti-R: Quais orientações um paciente deve receber antes de realizar a coleta de urina fora do laboratório?
JLS A coleta deve, preferencialmente, ser realizada em laboratório. Se isso não for possível, ou em caso de uma criança que não consiga urinar no laboratório, pode-se realizar a coleta em casa. Os cuidados com higienização devem ser os já mencionados, e o recipiente com a urina deve ser transportado em contato com gelo.
Anti-R: A contaminação da coleta é um problema recorrente no Brasil?
JLS Este é um problema mundial, que requer treinamento frequente. No caso de hemocultura, é necessário relembrar aos profissionais que utilizem clorexidina alcoólica. A antissepsia é menos eficaz apenas com o álcool a 70% do que com a clorexidina.
Anti-R: O que pode ser feito para minimizar o problema da contaminação de coleta?
JLS Não esperar o antisséptico evaporar é um erro comum, e isso culmina em contaminação. Portanto, é necessário aguardar a evaporação completa do álcool, sem pressa para a realização da coleta. Em caso de haver outros exames feitos juntamente com a hemocultura, a orientação é inocular o sangue no frasco de hemocultura.
Além desse procedimento, vários outros podem auxiliar no tratamento adequado de pacientes. Um deles refere-se à correta realização dos exames laboratoriais.
Para sanar dúvidas de profissionais acerca dos cuidados para evitar contaminação de coleta de urina ou processamento de sangue, o Anti-R conversou com o médico Jorge Luiz Sampaio, doutor em Microbiologia e Imunologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e líder médico e científico do setor de Microbiologia do Fleury Medicina e Saúde.
Anti-R: Quais as consequências da realização inadequada da coleta de sangue e urina?
Jorge Luiz Sampaio O sangue é, normalmente, um líquido estéril, livre de microorganismos. Para chegarem aos vasos sanguíneos, microorganismos como o staphylococus coagulase negativo, comum em quase todas as pessoas, geralmente entram primeiramente em contato com a pele, espalhando-se rapidamente pela corrente sanguínea, o que pode acontecer, inclusive, no momento da coleta.
Já a coleta de urina deve ser feita preferencialmente em laboratório. Por quê? Porque bactérias se multiplicam a cada 20 minutos. Assim, se a urina fica em temperatura ambiente por uma hora, a contagem bacteriana aumenta e a cultura é falsamente positiva.
Assim que coletada, a urina é colocada no meio de cultura e incubada. Quando positiva, realizam-se procedimentos que visam direcionar o tratamento médico. Assim, se houver uma bactéria, o médico pode decidir ampliar a cobertura do tratamento microbiano. Dependendo da gravidade do paciente, ele pode receber tratamento com antibióticos. Logo, uma coleta contaminada pode levar a erros de diagnósticos e, como consequência, o paciente pode receber tratamento com antibiótico sem necessidade.
Anti-R: Quais cuidados o profissional deve ter ao realizar a coleta de sangue e urina para exames de cultura e antibiograma, a fim de evitar contaminações?
JLS Tanto em adultos quanto em crianças, é necessário realizar higienização com água e sabão antes da coleta, o que reduz bastante o risco de contaminação. Também é importante que não se coloquem na criança pomadas e cremes de óxido de zinco, que evitam assaduras, porque isso dificulta a coleta. Caso a criança vá ao laboratório com esse tipo de pomada, deve-se higienizá-la com sabão neutro e água morna antes de limpar com antisséptico, a fim de reduzir a quantidade de bactérias existentes.
Outro cuidado com bactérias na região perineal é realizar higienização na criança a cada 5 minutos, caso ela não urine. Logo que a urina for coletada, deve ser imediatamente levada à área técnica para ser colocada no meio de cultura.
Já na coleta de sangue, é fundamental o uso de luvas estéreis. Também é necessário realizar antissepsia na pele do paciente, bem como no frasco que receberá a amostra de sangue. Usar um frasco não higienizado pode levar à contaminação da hemocultura.
Anti-R: Quais orientações um paciente deve receber antes de realizar a coleta de urina fora do laboratório?
JLS A coleta deve, preferencialmente, ser realizada em laboratório. Se isso não for possível, ou em caso de uma criança que não consiga urinar no laboratório, pode-se realizar a coleta em casa. Os cuidados com higienização devem ser os já mencionados, e o recipiente com a urina deve ser transportado em contato com gelo.
Anti-R: A contaminação da coleta é um problema recorrente no Brasil?
JLS Este é um problema mundial, que requer treinamento frequente. No caso de hemocultura, é necessário relembrar aos profissionais que utilizem clorexidina alcoólica. A antissepsia é menos eficaz apenas com o álcool a 70% do que com a clorexidina.
Anti-R: O que pode ser feito para minimizar o problema da contaminação de coleta?
JLS Não esperar o antisséptico evaporar é um erro comum, e isso culmina em contaminação. Portanto, é necessário aguardar a evaporação completa do álcool, sem pressa para a realização da coleta. Em caso de haver outros exames feitos juntamente com a hemocultura, a orientação é inocular o sangue no frasco de hemocultura.
Por Sirlene Farias (aluna de Jornalismo da Universidade Nove de Julho)
Fonte: Boletim Anti-R (www.uninove.br/inove)
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